ALUNA A

Nathalia Gravito

Aluna A é um novo projeto muito especial para apresentar a força das mulheres maravilhosas que fazem a diferença em nossa escola. No mês de junho, a nossa estrela é a Nat, que tem pouquinho tempo de pole mas já arrasa. Ela foi convidada para um ensaio de foto na Découvert Art, pelas lentes do parceiro Paulo Valle e também conversou conosco sobre sua relação com o pole, autoestima, feminismo e muito mais, num bate-papo delícia.

Você nasceu aqui em BH?

Não, sou de Sete Lagoas mas tem nove anos que tô aqui. Vim por causa da faculdade e não voltei mais.

 

Qual faculdade?

Terapia ocupacional da UFMG. Mas continuei porque trabalho aqui atualmente (na área) e gosto muito.

 

E porque escolheu essa profissão?

Eu acho que sempre tive o cuidar muito forte em mim. Conheci uma amiga que é terapeuta ocupacional e assim eu conheci a profissão. Uma carreira pouco conhecida no Brasil ainda, né? Fui pesquisando e vi que tinha uma identificação forte com a área, entrei um pouco sem saber bem o que que era ainda, mas não me vejo fazendo outra coisa.

 

E no seu dia a dia, como funciona, o que você faz?

Eu sou Terapeuta Ocupacional da unidade de acidente vascular cerebral do Hospital Risoleta Neves. Lá eu atendo o público em geral, todos os pacientes que sofreram algum tipo de AVC. Tenho pacientes domiciliares também. E adiem geral, pacientes idosos.

 

E voce não fica na bad? (risos)
Então, eu acho que com o tempo você vai, não se tornando uma pessoa mais fria - eu não dou conta de ser uma pessoa fria, mas tende a não levar tudo pra sua casa. O ambiente hospitalar te suga muito, então às vezes eu chego em casa e parece que passou um trator em cima de mim. Ao mesmo tempo, lá é onde eu me sinto inteira.

 

E os seus pais? Você tem irmãos, irmãs?

Meus pais moram em Sete Lagoas. É bom porque eu gosto da minha liberdade de morar fora de casa mas ao mesmo tempo não estou longe , rapidinho consigo estar lá. E tenho uma irmã mais velha que já é casada e tem uma filha.

 

E a relação com seus pais?

Eu falo que eu tive uma infância muito gostosa, muito livre. Vejo pais podando muito, eu nunca tive isso em casa, sempre fui muito estimulada a fazer as coisas que eu quero desde que com responsabilidade.

 

E tem vontade de ter filhos também?

Tenho!(risos) Eu falo que sou mãe de todos, eu acho que pela vontade de ser mãe ser tão grande. Só que hoje em dia eu fico me questionando se é uma vontade minha ou se foi imposta, sabe...Que você tem que crescer, casar, ter filhos. Hoje eu tô no processo de análise pra me conhecer e consigo ter esse momento de refletir e eu to chegando a conclusão que é uma coisa minha mesma, do meu perfil.  Eu gosto de cuidar, tenho meu sobrinho que é o amor maior da minha vida, então, eu quero passar por isso.

 

Você acha que vai pegar um pouco da sua mãe, a forma de educar, da asa, que ela te deu?

Então, não.(risos) Eu sou beeeeem diferente de todo mundo da minha casa, eu sou a ovelha negra sabe? Eu vejo a vida de uma forma diferente da minha mãe, eu entendo a forma dela de amar, a forma que ela deu conta de ser mãe,mas eu quero ser diferente em alguns aspectos. Minha mãe dedicou a vida dela muito pra gente, pra família, de uma forma inteira. Ela esqueceu um pouquinho dela. Eu entendo que é o amor maior, acima de tudo mas ao mesmo tempo eu sentia uma certa cobrança, de "eu vivi por você" sem eu ter pedido isso. Penso de uma forma um pouco diferente, de criar, de dedicação, do que ela me ensinou, eu vou seguir, mas em alguns pontos acho que faria diferente.

Você acha que ainda tem machismo, essa coisa de "mulher não pode vestir tal roupa"?

Sim, hoje um pouco menos, mas tudo é muito maquiado também, só que a antena hoje fica ligada.

Eu já passei por um relacionamento que me podou muito. Da roupa que eu vestia, de onde eu andava, de onde eu passava na rua. Eu era muito nova e eu não via isso como uma forma de violência. Hoje em dia eu consigo ver o tanto que foi um relacionamento abusivo. Atualmente por estar mais evidente a questão do feminismo, o empoderamento da mulher, as pessoas tendem a omitir alguma opinião, com medo do julgamento, mas o machismo continua, ainda que velado. Isso me incomoda profundamente, tenho discussões bem frenéticas por essas razões. Buzinar pra uma mulher na rua é uma coisa comum pra mim não é. Não é aceitável.

 

Vamos falar de Pole Dance. De onde surgiu a ideia de fazer Pole?

Eu nunca pensei em fazer Pole. Tenho uma conhecida que é muito fera , sempre via ela linda, achava maravilhoso, mas nunca me vi naquele lugar de fazer , achava que aquilo não era pra mim, que eu não ia dar conta, então nem me permitia pensar na possibilidade de fazer. Até que a Enise (Enise Silva, aluna do Studio A) que é minha amiga me falou sobre o studio, que era perto lá de casa, que tava tendo o mês de promoção e tal. "Ah, vamos fazer uma aula experimental?".

E eu estava, e ainda estou no processo e reeducação alimentar, querendo cuidar melhor do meu corpo. Aí animei tentar, fazer pra ver o que iria achar. Cheguei lá e pensei "Meeeu Deus do Céu, isso nao é pra mim né?". É tudo muito novo, é você com o seu corpo, em uma atividade fisica que você nunca fez na vida. Mas eu amei (risos). Eu ameeeeei! Pensei: "cara, que difícil isso" , mas eu me senti em um lugar que estava inteira, como sou inteira na minha profissão, eu estava inteira naquele momento. Assim que começou.

O que você sente que mudou nesses 5 meses?

Nossa, tudo! Eu acho que o primeiro ponto é aquela sala cheia de espelhos, você tá praticamente pelada. Eu comecei com shortinho grandinho, agora já tô fazendo quase sem roupa (risos). Eu me aceitei. É ver o avanço de uma aula pra outra e às vezes na própria aula. Eu sou muito perfeccionista, mas eu vejo essa evolução, a minha resistência até no aquecimento, de vezes que não consegui fazer a série completa. Primeiro não consigo fazer esse movimento, ai eu xingo a Lu, eu brigo (risos). E aí depois eu já consigo melhor. Meu corpo ainda quero melhorar muita coisa por mim, mas eu vejo um braço mais bonito, vejo uma barriga que  eu tô chegando num desenho que eu acho legal... esse é o caminho. Eu cheguei pra fazer a aula, vem a Lu com esse corpo maravilhoso (risos)  eu falei "meu Deeeus do céu", preciso desse corpo. Sempre tentei academia, sempre fiz, sempre fui mais gordinha, mas eu sempre me boicotava, eu saia fora, não dava continuidade. Agora eu chego em casa correndo pra ir pra aula, eu nunca falto. Poxa, achei a atividade física q eu precisava!

 

E agora você se sente realizada?

Então....o Pole Dance pra mim veio até pra eu trabalhar coisas que são difíceis, como eu falei, sou muito perfeccionista, eu sempre tive que ser a melhor em tudo e lá eu não sou. Então, vou lidando com minhas dificuldades, minhas frustrações, que tenho que ver que não vou dar conta de tudo agora, que eu tenho que diminuir um pouco minha ansiedade, pensar que mais pra frente eu vou evoluir, mas que agora não está rolando ainda. Tem dia que eu fico revoltada que eu não consigo inverter, que bom porque eu preciso disso, eu preciso ver que não vou ser sempre a melhor em tudo, que eu  não tenho que ser 100% o tempo todo, que eu tenho minhas limitações. Tenho minhas fraquezas, isso é muito mais do que só um exercício, eu levo o Pole Dance pra terapia. Teve um mês que eu estava com muita dificuldade, eu tava meio pra baixo, pensei "vou sair, vou sair porque eu não tô dando conta". A minha terapeuta falou: "não, você precisa disso, você precisa dar conta que você não vai conseguir agora". Então pra mim, tem mais esse fator de "vai com calma, você não é perfeita". Porque é sempre assim: você tem que ser a melhor aluna, você tem que passar na primeira faculdade, tem que se formar no tempo certo, tem que arrumar emprego, sempre tem que ser bom, não é permitido não ser bom. Daí você chega lá, todo mundo inverte, menos você, então aguenta, aguenta a bronca (risos).

 

A gente sabe que rola alguns estigmas né? Você teve algum problema pra contar pra alguém que você faz pole?

É muito engraçado quando você fala que faz pole dance, a resposta é "oooooooh você faz pole dance", como se eu estivesse acionando minha carteira de garota de programa. Pra algumas pessoas , até foi uma resposta menos assustada do que achei q seria, eu tive apoio, e ao mesmo tempo, acho que levei isso pra vida de muita gente, tenho três amigas que começaram a fazer pole dance depois que comecei.  Na primeira semana fui pra casa cheia de roxo e hematoma. Pensei que minha mãe ia achar q estava sendo espancada. Eu cheguei e falei, "olha mãe, tô fazendo pole, olha a foto!". Eu dei um espaço pra ela sentir um pouco de desconforto pois não é uma coisa comum, que ela viveu, e pelo contrário, ela abraçou a ideia! Ao mesmo tempo eu ouvi coisas do tipo, "você fica postando foto no pole, mas você é uma profissional da saúde, tem pacientes". Essa é a minha atividade física. A galera não posta foto na academia? No crossfit? Então!

 

Vai continuar pra sempre então?

Não quero sair não. Não acho que vai chegar em um nível de competição na minha vida ,mas é a atividade que eu quero fazer. Já faz parte da minha descrição: Oi, eu sou a Nat, sou terapeuta ocupacional, sou libriana, faço isso, faço isso e faço pole dance.

 

Uma cor: marrom

Uma comida: comida japonesa, mas a mineira ganha meu coração.

Um animal: cachorro, mas não uma pessoa amante de animais, que assim, quero todos pra mim não. Mas gosto mais de cachorro que de um golfinho. (risos)

Um lugar pra sair: forró , eu amo forró.

Um filme: 7 vidas

Um livro: A máquina de fazer espanhóis (Valter Hugo Mãe)

Viagem que você fez: Florianópolis

Uma viagem que você quer fazer: Amsterdã

Uma música: La belle de Jour - Alceu Valença

Movimento do pole: Todos são tão lindos, mas acho o charme que define bem o que eu vejo do Pole: postura, delicadeza e a força.

Unidade Savassi: Rua Tomé de Souza, 815
Unidade Funcionários: Rua Cláudio Manoel, 149

Belo Horizonte - MG

(31) 2535 2880 (atendimento das 14hs às 20hs)

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